De louco e gênio todo mundo tem um pouco

Lá nos campos da minha infância havia um louco que de vez em quando corria na rua. Seu nome era Mozinha. E ele dizia, na sua loucura: “Mozinha é homem, Mozinha morre na faca e na bala…” E corria, doido varrido, as crianças gritando, os cachorros latindo atrás. E como o meu nome é Moisés, daí alguns gaiatos passaram a me chamar de Mozinha. Eu ficava uma arara enjaulada. E todos sabem: apelido só pega quando a gente dá atenção e demonstra raiva. Eu chorava pelos cantos. Morria de medo do Mozinha, da loucura dele e de pegar o seu nome em mim. Mas eu tambémgostava de devaneios, das viagens imaginárias, das fantasias miraculosas.
Como diz o poeta,” loucos somos, em suma, uns por pouca coisa, outros por coisa alguma”(*).
No início, não sei exatamente por onde começar, mas sigo. Você está maluco? Perguntam os certinhos, os que sabem tudo, os que têm certezas. Só um pouco, imagino. Só muita loucura para continuar teimando com algo que não dá resultado, pelo menos o resultado esperado no início da empreitada. Mas vou tentar de outra forma. Agora vai dar certo!
O otimismo às vezes se confunde com fanatismo. Já fui fanático. Vesti a camisa de partido que nem era lá essas coisas, mas briguei por ele, e não foi só uma vez. Depois, desanimado, derrotado, desiludido, abandonei o barco do partido. Mas, como diz o biografia de Pablo Neruda, Confesso que vivi. E assim, seja na derrota, seja na vitória, fica a aprendizagem e a lição de vida.
Gosto das vitórias, mas aprendo mais com as derrotas. Não me conformo com a primeira derrota. Sempre foi assim. Quando moleque, me mandavam fazer algo, procurava o produto em todas as quitandas e só voltava com o algo debaixo do braço. Na primeira namorada, levei mais de ano na paquera, até conseguir o esperado sim. Mas nem sempre conquistei o que quis. Foram muitas as derrotas. Mas saí delas fortalecido.
Seja teimoso. Mantenha a ideia fixa naquilo que almeja. Não se deixe levar pelas facilidades que aparecem no caminho. Diante de um problema, analise-o em todos os detalhes, com paciência. Junte as peças, compare, mantenha distância. Evite a posição tirada no calor da hora, aquela que vem comprometida com a emoção. Diante de uma dúvida, antes de resolver qualquer coisa, procure um rio de água limpa e fria e mergulhe. Pode ser um desses rios dourados que às vezes passam nos fundos de nossas casas, mas mergulhe e fique bem quieto debaixo da água, até a cabeça esfriar. Depois, durma um bom sono, tenha um longo sonho e então submerja com uma disposição para estudar o problema. Vá para a biblioteca, consulte especialistas, fale com a mãe, o pai, o padeiro….Assim, com todos os dados nas mãos, enfrente o enigma com a frieza do açougueiro.
Por um bom tempo me chamaram de radical. Eu radicalizava na discussão. Era a favor ou contra, não tinha meio termo. Mas eu era radical na emoção. Ou gostava muito, ou não gostava nada. E ponto final. Na verdade, olhando para trás, vejo que o radical é alguém que vê com meio olho. Alguém que olha a metade e já toma posição.
Para que a solução apareça é preciso ir ao núcleo do problema. Se estou com dor de cabeça, não tomo remédio. Vou caminhar na praia até a dor passar. Ainda bem que tenho sempre uma praia por perto. É por isso que vivo na ilha
Hoje tenho a minha opinião sobre as coisas, mas a certeza é sempre cercada por muitas perguntas. Ela é perseguida durante dias, sem descanso, testada de todas as formas até que todas as dúvidas caiam no mar profundo e lá fiquem. Tenho, então, a segurança da opinião.
Mas, ainda assim, mantenho-me em alerta contra a certeza absoluta. Tenho certeza, mas ela pode ser questionada a qualquer instante. Eu já tive certezas tão certas que eu daria a vida por elas, com certeza. Mas elas não eram tão certas. Não passaram pela prova de alguns anos.Então, a experiência mostra que devemos buscar as certezas, mas recomenda-se que elas estejam cercadas de várias possibilidades, de outras perspectivas.
Sempre que estou dirigindo, mantenho o sentido em alerta. Eu não confio em sinal verde. Sei lá qual é o maluco que está no volante do carro que vem na outra rua?
A isso dão o nome de direção defensiva. Eu estou na defensiva, procurando os dias brancos e iguais para todos. Eu quero a ação do arco-íris na vida de cada um. Sou um pouco maluco. Estou certo disso. Eu não confio na mão única. Afinal, um pouco de canja de galinha não faz mal a ninguém.A descoberta acontece quando a loucura abre espaço para o gênio aparecer.

Sobre panakui

O site www.folhadoamanha.net e o Sítio Panakuí convidam para a oficina Sítio Ecológico, um guia para salvar a terra, ministrada pelo jornalista e ecologista Moisés Matias. O pesquisador desenvolveu uma metodologia de valoração dos recursos naturais e culturais, um método de criação de um circulo virtuoso, similar ao indicador de Felicidade Interna Bruta (FIB), ou seja, onde há, supostamente, pobreza e tristeza, floresce a fartura e a felicidade. A oficina acontece nos sábados, no Sítio Ecológico onde foi desenvolvido o estudo. As inscrições podem ser feitas pelo fone (98) 3253 3372, ou pelo e-mail moises-matias@ig.com.br "Aprenda a fazer um sítio na sua casa, no seu apartamento ou em uma área de terra. Assim você estará atuando firme, em seu local de moradia,para salvar o planeta.

Publicado em 30/08/2012, em ecologia e criatividade, livro, meio ambiente, Vivências. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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